Sangue nas fezes e cansaço: os sinais de alerta do câncer colorretal que muitos ignoram

Redação Notícia Imediata

Sangue nas fezes e cansaço: os sinais de alerta do câncer colorretal que muitos ignoram
Publicado em 02/03/2026 às 16:58

Sintomas frequentemente negligenciados, como sangue nas fezes, alterações no funcionamento do intestino e cansaço persistente, podem ser sinais de alerta para o câncer colorretal. Este tipo de tumor tem apresentado um crescimento preocupante entre pessoas com menos de 50 anos, desafiando a percepção de que a doença é restrita a idosos. Durante a campanha Março Azul, especialistas reforçam que a idade não exclui o risco e que sinais “passageiros” devem ser investigados.

A Dra. Maria Ignez Braghiroli, oncologista da Rede D’Or, destaca que o perfil dos pacientes mudou, com um aumento de casos em jovens que muitas vezes não apresentam os fatores de risco clássicos. Essa nova realidade exige uma atenção redobrada tanto aos sintomas quanto ao histórico familiar. Segundo dados do INCA, o Brasil deve registrar aproximadamente 53.810 novos casos da doença por ano até 2028, evidenciando a magnitude do problema de saúde pública.

Entre os principais sinais de alerta que não devem ser normalizados estão o sangramento anal, dores abdominais frequentes, sensação de evacuação incompleta e perda de peso sem explicação. Alterações no ritmo intestinal, como diarreia ou prisão de ventre persistentes, e fezes mais finas também são indicativos importantes. Além disso, a presença de anemia e fraqueza pode sinalizar uma perda crônica de sangue pelo trato digestivo.

O diagnóstico tardio entre os mais jovens é um desafio, muitas vezes ocorrendo quando a doença já está em estágio avançado. Fatores relacionados ao estilo de vida moderno, como o sedentarismo, o tabagismo, o consumo de álcool e uma dieta rica em alimentos ultraprocessados, ajudam a explicar esse cenário. A obesidade e a falta de fibras na alimentação são componentes que elevam significativamente a vulnerabilidade ao tumor.

A boa notícia é que o câncer colorretal é um dos tumores mais preveníveis, já que cerca de 90% dos casos surgem a partir de pólipos benignos que podem ser removidos durante o exame de colonoscopia. Atualmente, as sociedades médicas recomendam que o rastreamento comece aos 45 anos para a população geral, ou até mais cedo para indivíduos que possuam histórico familiar da doença ou outros fatores de risco específicos.

Além dos exames preventivos, a adoção de hábitos saudáveis é fundamental para reduzir as chances de desenvolver a enfermidade. Praticar atividades físicas regularmente, manter o controle do peso e priorizar uma dieta rica em fibras são medidas eficazes de proteção. O alerta central do Março Azul é que o tempo é um fator determinante: ignorar sintomas pode atrasar o diagnóstico e comprometer a eficácia do tratamento.