Morte de idosa na Unimed: Ministério Público não descarta hipótese de homicídio por dolo eventual
Marcos Dione, do Notícia imediata

O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), por meio da 10ª Promotoria de Justiça Criminal, oficializou a abertura de um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) para apurar as circunstâncias da morte de Nadir Nazaré Gadelha. A idosa de 84 anos faleceu no dia 22 de janeiro de 2026, após receber atendimento na unidade de pronto-atendimento da Unimed, em Rio Branco. A investigação busca esclarecer se houve prática de infração penal de iniciativa pública no atendimento prestado à paciente.
O ponto central da investigação reside na constatação de uma aplicação excessiva de sódio na paciente, fato que teria sido registrado nos próprios prontuários médicos enviados à promotoria. De acordo com o documento oficial assinado pelo promotor Ildon Maximiano Peres Neto, a certidão de óbito de Nadir aponta como causa mortis um distúrbio hidroeletrolítico. Este quadro clínico é uma consequência direta do excesso de sódio, o que estabelece um elo técnico com as denúncias apresentadas.
A tese de erro grave é reforçada pelo depoimento de familiares e pelas afirmações do médico assistente contratado pela família, Dr. Mardelson Nery de Souza. Diante dos indícios colhidos na Notícia de Fato inicial, o Ministério Público compreendeu que existem elementos suficientes que demonstram a ocorrência de crime. A gravidade do caso levou o promotor a não descartar, neste estágio inicial, a possibilidade de tipificação como homicídio por dolo eventual, caso se comprove a assunção de risco que levou ao óbito.
Como parte das diligências imediatas, o MPAC oficiou o Instituto Médico-Legal (IML) para a realização de um laudo cadavérico indireto. Este exame será baseado nos documentos médicos e prontuários da paciente, já que o corpo não passou pela perícia direta no momento do falecimento. O objetivo é converter as evidências clínicas em prova pericial robusta para embasar a futura ação penal.
Além da perícia, o órgão ministerial agendou uma série de oitivas fundamentais para o esclarecimento dos fatos. Serão notificados para prestar depoimento os médicos Mardelson Nery de Souza e Warley Guerra, além de uma equipe de enfermagem composta por três técnicas e duas enfermeiras que estavam de plantão ou participaram do atendimento. A investigação pretende mapear a cadeia de decisões e procedimentos adotados durante a internação da idosa.
A portaria de instauração também determina uma varredura em busca de outras ocorrências semelhantes que envolvam a mesma prática na unidade de saúde. O objetivo é verificar se o episódio foi um caso isolado ou se há um padrão de conduta que coloque em risco outros usuários do plano de saúde. O caso será registrado junto a uma das Varas do Júri da Comarca de Rio Branco, dada a natureza da investigação sobre crime contra a vida.
Por fim, o Ministério Público encaminhou cópia dos autos à Promotoria Especializada da Saúde para que o caso seja analisado também sob a perspectiva da tutela coletiva e fiscalização dos serviços de saúde. A família da vítima e a Procuradoria-Geral de Justiça já foram formalmente cientificadas da evolução do caso. A investigação segue em sigilo relativo para a coleta de provas e identificação de responsabilidades individuais.
