‘Não tem como não ser de direita’: Goleiro Bruno revela pretensões políticas, mas é barrado pela Justiça

Marcos Dione, do Notícia Imediata

‘Não tem como não ser de direita’: Goleiro Bruno revela pretensões políticas, mas é barrado pela Justiça
Publicado em 20/02/2026 às 18:45

O goleiro Bruno Fernandes, condenado pelo assassinato e ocultação de cadáver de Eliza Samúdio, anunciou sua pretensão de ingressar na carreira política. Em entrevista recente, o ex-atleta revelou o desejo de disputar uma vaga na Câmara Municipal de Ribeirão das Neves (MG), sua cidade natal. Atualmente em liberdade condicional desde 2019, Bruno planeja migrar dos campos para o legislativo assim que concluir totalmente o cumprimento de sua pena, prevista para ser encerrada em 2031.

Apesar da ambição eleitoral, o caminho de Bruno até as urnas enfrenta uma barreira jurídica intransponível a curto prazo. Devido à Lei da Ficha Limpa, que impede a candidatura de condenados por crimes graves por um período de oito anos após o cumprimento da sentença, o ex-goleiro só estará apto a registrar uma candidatura em 2039. Aos 55 anos, ele espera que o tempo decorrido desde o crime ajude a suavizar a resistência do eleitorado diante de sua ficha criminal.

Sobre suas inclinações ideológicas, Bruno foi enfático ao afirmar que sua escolha partidária será obrigatoriamente alinhada ao campo conservador. Segundo o atleta, a sigla escolhida “não tem como não ser de direita”, baseando sua fala na defesa de pautas que, ironicamente, costumam pregar o rigor da lei. Ele afirma já ter recebido convites de diferentes legendas interessadas em sua projeção midiática, embora o nome dos partidos ainda não tenha sido oficialmente revelado.

A notícia gerou uma onda de indignação e intensos debates morais em Ribeirão das Neves e em todo o país. Críticos apontam que o uso da política como via de ressocialização para alguém condenado por um crime de tamanha crueldade é um desrespeito à memória da vítima e uma afronta aos direitos das mulheres. O caso de Eliza Samúdio, marcado por requintes de barbárie e pela tentativa de apagar os vestígios do corpo, continua sendo uma ferida aberta na sociedade brasileira, o que torna sua pré-candidatura um tema altamente sensível.

Por fim, a estratégia de Bruno parece apostar na memória curta do eleitor e na polarização política para tentar reconstruir sua imagem pública. Enquanto seus advogados trabalham nos detalhes técnicos do encerramento da pena, o debate jurídico sobre a elegibilidade de ex-detentos condenados por crimes hediondos ganha um novo capítulo. Se em 2039 o nome de Bruno Fernandes figurará em uma urna eletrônica, caberá ao povo e às instituições decidir se o direito ao voto passivo deve se sobrepor ao peso ético de seu histórico criminal.