Coração no limite: Dr. Ricardo Valente alerta para os riscos fatais do Viagra sem controle médico

Marcos Dione, do Notícia Imediata

Coração no limite: Dr. Ricardo Valente alerta para os riscos fatais do Viagra sem controle médico
Publicado em 15/02/2026 às 16:56

O uso indiscriminado de medicamentos para disfunção erétil, como o citrato de sildenafila, tem acendido um sinal de alerta nos prontos-socorros e consultórios de cardiologia. O que muitos homens consideram uma solução simples para a performance pode, na verdade, esconder riscos fatais, especialmente quando associado ao estresse, à exaustão física ou a condições cardíacas não diagnosticadas. Casos de mal súbito relacionados ao abuso dessas substâncias têm se tornado mais frequentes, exigindo intervenções de emergência com UTIs móveis e monitoramento intensivo.

Em entrevista exclusiva, o cardiologista Dr. Ricardo Valente explica que o principal perigo reside na ação vasodilatadora desses fármacos. “Muitos pacientes acreditam que o medicamento atua de forma isolada, mas ele impacta todo o sistema circulatório. Em um organismo sob estresse ou com artérias já comprometidas, essa sobrecarga pode desencadear arritmias graves, infarto agudo do miocárdio ou quedas de pressão tão severas que levam ao desmaio imediato”, alerta o especialista.

O Dr. Ricardo destaca que a automedicação é o fator mais preocupante, já que muitos usuários ignoram contraindicações básicas. Pacientes que fazem uso de medicamentos contendo nitratos (comuns no tratamento de angina e hipertensão), por exemplo, correm o risco de uma interação medicamentosa fatal. “A combinação de nitratos com estimulantes sexuais pode derrubar a pressão arterial a níveis incompatíveis com a vida em poucos minutos”, pontua o médico.

Além da interação com outros remédios, o fator idade e o estilo de vida são determinantes. Homens acima dos 50 anos, que frequentemente lidam com altas cargas de adrenalina, sedentarismo ou tabagismo, possuem maior probabilidade de ter placas de gordura nas artérias. Sob o efeito de estimulantes, o coração é forçado a trabalhar em um ritmo acelerado para o qual não está preparado, funcionando como um motor operando acima do limite de segurança, o que pode levar à falência súbita do órgão.

O especialista também chama a atenção para o aspecto psicológico e a falsa sensação de segurança. “O uso recreativo desses fármacos cria uma dependência perigosa e mascara sintomas de doenças cardiovasculares reais. Às vezes, o corpo já está enviando sinais de cansaço e dor, mas o indivíduo utiliza o estimulante para ‘atropelar’ esses alertas, o que termina em tragédia”, explica o Dr. Ricardo Valente.

Para evitar episódios de mal súbito, a recomendação médica é clara: nunca iniciar o uso de qualquer estimulante sem um check-up cardiológico completo. Exames como o teste ergométrico e o ecocardiograma são fundamentais para avaliar se o coração suporta o aumento da demanda hemodinâmica provocado pela substância. O acompanhamento profissional garante que a dosagem seja adequada e que o paciente não esteja correndo o risco de um colapso em momentos de vulnerabilidade física.

A conscientização é a melhor forma de prevenção. O Dr. Ricardo conclui reforçando que a saúde sexual está intrinsecamente ligada à saúde do coração, e que o uso de “atalhos químicos” sem critério é uma roleta russa com a própria vida. “Não vale a pena arriscar um infarto ou um dano cerebral por falta de orientação. O mal súbito não avisa quando vai chegar, mas as escolhas feitas antes dele podem determinar a sobrevivência”, finaliza.