Enquanto Bocalom exalta ‘cidade bem cuidada’, Rio Branco figura como a 5ª pior capital em qualidade de vida no Brasil

Marcos Dione, do Notícia Imediata

Enquanto Bocalom exalta ‘cidade bem cuidada’, Rio Branco figura como a 5ª pior capital em qualidade de vida no Brasil
Publicado em 13/02/2026 às 12:40

Um levantamento recente do Índice de Progresso Social (IPS Brasil 2025) trouxe um dado alarmante para a capital acreana: Rio Branco ocupa a 23ª posição entre as 27 capitais brasileiras no ranking de qualidade de vida. Com uma pontuação de apenas 62,29, a cidade amarga o posto de quinta pior capital do país para se viver, ficando à frente apenas de Salvador, Maceió, Macapá e Porto Velho. O índice mede o desempenho social e ambiental a partir de dimensões como Necessidades Humanas Básicas, Bem-estar e Oportunidades.

Os dados do IPS Brasil contrastam diretamente com a narrativa adotada pelo prefeito Tião Bocalom (PL). Em suas redes sociais e discursos oficiais, o gestor frequentemente afirma que Rio Branco “nunca esteve tão bonita e bem cuidada”. No entanto, os números mostram que a estética das flores nos canteiros centrais não tem sido suficiente para elevar os indicadores reais de progresso social e dignidade para a maioria da população.

A realidade nos bairros periféricos reforça o abismo entre o discurso e a prática. Moradores enfrentam o cotidiano com uma infraestrutura precária, marcada por ruas esburacadas e uma série de obras inacabadas que se arrastam pela cidade. Enquanto a prefeitura foca em áreas centrais e visíveis, o cidadão que vive longe do centro sofre com o descaso histórico que parece ter se intensificado, comprometendo a mobilidade e a segurança de quem precisa transitar por essas áreas.

Na saúde, o cenário é de crise. São constantes as denúncias de falta de médicos e escassez de medicamentos básicos nas Unidades de Saúde da Família (USFs). A população, que depende exclusivamente do sistema público municipal, encontra postos superlotados e dificuldades crônicas de atendimento, revelando uma falha grave na dimensão de Necessidades Humanas Básicas apontada pelo índice de qualidade de vida.

O transporte coletivo é outro ponto crítico da gestão municipal. Com uma frota insuficiente e precária, os usuários enfrentam longas esperas e veículos em péssimas condições de conservação. Somado a isso, o ambiente político da gestão Bocalom tem sido abalado por graves denúncias, incluindo escândalos de corrupção e casos de assédio envolvendo membros da administração municipal, o que compromete a credibilidade e a eficiência da máquina pública.

O 23º lugar no ranking nacional serve como um alerta para a necessidade de políticas públicas que foquem no que é essencial. Rio Branco precisa de mais do que maquiagem urbana; precisa de saneamento, saúde eficiente e transparência na gestão. Enquanto o progresso social não chegar à mesa e à rua do cidadão comum, a frase “cidade bem cuidada” continuará sendo apenas uma peça de propaganda distante da vida real dos acreanos.