Pastores evangélicos são os que mais estupram crianças no Acre; mais de 8 já foram presos este ano

Redação Notícia Imediata

Pastores evangélicos são os que mais estupram crianças no Acre; mais de 8 já foram presos este ano
Publicado em 07/02/2026 às 22:49

O estado do Acre atravessa um dos momentos mais delicados de sua história recente no que diz respeito à segurança pública e à confiança nas instituições religiosas. Uma série de operações policiais conduzidas ao longo dos primeiros meses de 2026 culminou na prisão de nove figuras influentes no cenário espiritual local. O grupo é composto por oito pastores vinculados à denominação Assembleia de Deus e um padre católico, todos acusados de crimes graves contra a dignidade sexual.

As investigações, que vinham sendo realizadas em sigilo pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), apontam que os suspeitos utilizavam o prestígio e o temor reverencial de seus cargos para atrair as vítimas. De acordo com os relatórios preliminares, os abusos ocorriam tanto em dependências das congregações quanto em ambientes privados, sob o pretexto de aconselhamento espiritual ou ajuda comunitária.

A repercussão do caso tomou proporções nacionais devido à quantidade de envolvidos e à natureza sistemática dos crimes. A Polícia Civil informou que o número de vítimas pode ser ainda maior do que o inicialmente catalogado, uma vez que o encorajamento de uma denúncia inicial desencadeou um efeito dominó, levando outras famílias a quebrarem o silêncio e buscarem a justiça contra os agressores.

No caso dos oito pastores da Assembleia de Deus, as prisões ocorreram em diferentes municípios, incluindo a capital Rio Branco e cidades do interior, como Cruzeiro do Sul e Sena Madureira. As lideranças regionais da igreja emitiram notas oficiais afirmando que não compactuam com desvios de conduta e que os acusados foram imediatamente afastados de suas funções ministeriais enquanto o processo legal segue seu curso.

Paralelamente, a prisão do padre envolvido gerou um choque profundo na comunidade católica do estado. A Diocese local manifestou-se por meio de um comunicado, expressando profunda dor e solidariedade às vítimas e seus familiares. A instituição reiterou seu compromisso com a transparência e afirmou estar colaborando plenamente com as autoridades para que a verdade seja estabelecida e as sanções cabíveis aplicadas.

Especialistas em direito penal ressaltam que, caso sejam condenados, os réus poderão enfrentar penas severas, agravadas pelo fato de exercerem autoridade sobre as vítimas. O crime de estupro de vulnerável, previsto no Artigo 217-A do Código Penal, é considerado hediondo e não admite fiança, refletindo a gravidade com que o Estado brasileiro trata a violência sexual contra menores.

O impacto psicológico nas comunidades afetadas é imensurável, exigindo uma rede de apoio multidisciplinar. Conselhos tutelares e órgãos de assistência social estão mobilizados para oferecer suporte psicológico e jurídico às crianças e adolescentes impactados, buscando mitigar os traumas causados pela quebra de confiança de figuras que deveriam simbolizar proteção e guia moral.

A sociedade acreana tem reagido com indignação, mas também com um clamor por reformas nos mecanismos de fiscalização interna das organizações religiosas. Debates sobre a necessidade de canais de denúncia mais eficazes e independentes dentro das igrejas ganharam força nas redes sociais e em fóruns públicos, visando evitar que ambientes de fé sejam utilizados como escudo para criminosos.

Por fim, o Judiciário do Acre trabalha agora na análise dos inquéritos para decidir sobre a manutenção das prisões preventivas e o início da fase de instrução processual. O desfecho destes casos é aguardado com expectativa, servindo como um divisor de águas no combate à impunidade e na reafirmação de que ninguém, independentemente da veste ou do título que carregue, está acima da lei.