Após comoção nacional, polícia do Acre aponta culpados em caso de bebê que chorou minutos antes de sepultamento

Redação Notícia Imediata

Após comoção nacional, polícia do Acre aponta culpados em caso de bebê que chorou minutos antes de sepultamento
Publicado em 27/01/2026 às 14:24

A Polícia Civil do Acre (PCAC) indiciou um médico e um enfermeiro por homicídio culposo (quando não há intenção de matar) pela morte do bebê José Pedro. O desfecho do inquérito foi apresentado nesta terça-feira (27), em Rio Branco, detalhando as responsabilidades sobre o caso que chocou o estado em outubro de 2025. Segundo a Delegacia de Homicídios, as investigações apontaram que a morte da criança foi resultado de falhas técnicas graves no atendimento hospitalar.

A investigação concluiu que houve negligência no período pós-parto e imperícia profissional. O delegado Alcino Ferreira Júnior destacou que, embora o bebê fosse um prematuro extremo com baixas chances de sobrevivência, a perícia médico-legal foi enfática ao indicar que faltaram cuidados imediatos e essenciais que deveriam ter sido aplicados por profissionais técnicos. O documento já foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público para análise.

O caso ganhou repercussão nacional após o pequeno José Pedro, declarado morto logo após o nascimento na Maternidade Bárbara Heliodora, chorar dentro do caixão durante seu próprio velório no Cemitério Morada da Paz. O bebê havia sido colocado em um saco plástico e enviado ao necrotério após o parto prematuro de cinco meses. Ao perceberem que a criança estava viva, familiares a retiraram às pressas do esquife, registrando o momento em vídeo.

Após o resgate desesperado, o recém-nascido foi levado de volta à maternidade e posteriormente transferido para a UTI neonatal do Hospital da Criança. Apesar dos esforços médicos na unidade intensiva, José Pedro não resistiu e faleceu na noite do dia seguinte ao ocorrido. O episódio gerou uma onda de indignação e mobilizou órgãos como o Conselho Regional de Medicina (CRM-AC) e o Instituto Médico Legal.

Diante da gravidade dos fatos, o governador Gladson Cameli determinou, na época, o afastamento imediato de toda a equipe médica envolvida na verificação do óbito. Em nota oficial, o gestor manifestou solidariedade à família e garantiu que o Estado empenharia esforços para que o episódio não ficasse impune. O CRM-AC também abriu sindicância interna para apurar a conduta ética dos profissionais indiciados.

Durante as apurações, a defesa técnica da equipe médica chegou a alegar que casos de “retorno à vida” em prematuros são raros, mas documentados na literatura médica. No entanto, o trabalho técnico da perícia do IML foi fundamental para desmentir a tese de fatalidade inevitável, consolidando as provas de que a omissão de socorro imediato após o nascimento foi determinante para o agravamento do quadro da criança.

O Ministério Público do Acre (MPAC) agora aguarda o recebimento formal do inquérito para decidir se oferecerá denúncia criminal contra o médico e o enfermeiro. O órgão fiscaliza o cumprimento das normas médicas e avalia se houve falha humana sistemática na unidade de saúde. Caso a denúncia seja aceita pela Justiça, os profissionais responderão ao processo criminal por homicídio culposo, podendo sofrer sanções judiciais e administrativas.

O sepultamento definitivo de José Pedro ocorreu sob forte comoção em Rio Branco, em uma cerimônia restrita a familiares que buscavam encerrar o ciclo de luto interrompido de forma traumática. Com a conclusão da fase policial, a família espera que o indiciamento traga justiça para o caso que expôs fragilidades nos protocolos de verificação de óbito e atendimento neonatal no estado.

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