Luiz Calixto escancara racha entre Gladson e Bocalom: ‘Fomos corresponsáveis pela vitória dele e ele não cumpriu’
Redação Notícia Imediata

O secretário de Governo, Luiz Calixto, subiu o tom e detonou abertamente as pretensões eleitorais do prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PL). Em entrevista à Folha do Acre, Calixto foi enfático ao afirmar que o gestor municipal deveria primeiro cumprir os compromissos assumidos na última campanha antes de “alçar voos maiores” como pré-candidato ao governo do Estado. A fala expõe uma ferida aberta na política local e sinaliza que o Palácio Rio Branco não pretende poupar críticas à atual gestão da capital.
Calixto classificou como um “absurdo” o fato de Bocalom lançar sua candidatura enquanto Rio Branco segue mergulhada em problemas crônicos. O secretário listou gargalos que vão desde a precariedade gritante no transporte coletivo até a histórica e persistente falta de água nas residências dos rio-branquenses. Para o braço direito do governador Gladson Cameli, a antecipação do debate eleitoral por parte do prefeito soa como um desrespeito à população que ainda aguarda as melhorias prometidas.
Direto em suas palavras, o secretário de Governo disparou: “Antes de ser candidato a qualquer coisa, Bocalom tem que cumprir os compromissos feitos na última eleição. Ele não pode sair prometendo e depois abandonando”. A declaração sugere que o prefeito estaria tentando usar a prefeitura apenas como um trampolim político, deixando para trás uma esteira de promessas não realizadas e problemas estruturais sem solução definitiva.
Segundo Calixto, a cobrança que ele faz não é apenas legítima, mas uma obrigação moral, especialmente por parte daqueles que ajudaram Bocalom a chegar ao poder. “Fomos corresponsáveis pela vitória dele e ele não pode simplesmente sair fazendo novos compromissos sem cumprir os anteriores”, afirmou o secretário. O tom de cobrança reforça a ideia de que o grupo governamental se sente traído pela postura do prefeito em priorizar sua imagem pessoal em vez da gestão pública.
O posicionamento de Luiz Calixto deixa claro que os grupos políticos de Tião Bocalom e Gladson Cameli estão, neste momento, rompidos de fato. A crítica pública e ácida indica que não há qualquer perspectiva de aliança ou reaproximação em um futuro próximo. O que se vê é uma guerra declarada de narrativas, onde o governo estadual busca desidratar a pré-candidatura do prefeito ao colar nele o rótulo de gestor ineficiente e político de promessas vazias.
Para os observadores da política acreana, o movimento de Calixto é um golpe estratégico para minar a base de Bocalom. Ao destacar o descumprimento de promessas, o secretário tenta invalidar o discurso de “bom gestor” que o prefeito tenta projetar para o interior do estado. A fala de Calixto serve como um alerta de que, para o governo, Bocalom ainda não “fez o dever de casa” básico em Rio Branco para se sentir apto a governar o Acre.
Por fim, a declaração sinaliza um período de forte isolamento político para o prefeito da capital dentro do arco de alianças do governo. Com as falas pesadas de Calixto, o cenário para 2026 começa a se desenhar com contornos de enfrentamento direto. Enquanto Bocalom foca em sua pré-candidatura majoritária, o secretário de Governo garante que a população lembrará de cada compromisso esquecido: “Ele não pode simplesmente sair fazendo compromissos sem cumprir”, reiterou Calixto, fechando a porta para qualquer conciliação.
