Após andar 200km pela liberdade de Bolsonaro, Márcio Bittar só conseguiu calos nos pés e pele bronzeada

Marcos Dione, do Notícia Imediata

Após andar 200km pela liberdade de Bolsonaro, Márcio Bittar só conseguiu calos nos pés e pele bronzeada
Publicado em 26/01/2026 às 14:56

O desfecho da exaustiva caminhada de 200 km liderada pelo deputado Nikolas Ferreira, que contou com a participação do senador Márcio Bittar (UB-AC), revelou-se um exercício de total inutilidade política. O parlamentar acreano utilizou suas redes sociais para postar fotos de seus pés machucados, cobertos por esparadrapos e pontos vermelhos, tentando conferir um tom de heroísmo ao esforço. Bittar chegou a declarar: “O Brasil acordou. Mais de 200 km percorridos. Não vamos retroceder”, buscando inflamar sua base digital, apesar do resultado nulo na prática.

A mobilização, que pretendia demonstrar força para constranger o Supremo Tribunal Federal (STF), provou-se um esforço nulo. Apesar do sacrifício físico ostentado pelo senador e de sua afirmação de que “o Brasil acordou”, a Corte em Brasília sequer cogitou rever as condenações de Jair Bolsonaro ou dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. O entendimento jurídico permanece inabalável: o ex-presidente continuará preso até o cumprimento integral de sua pena, independentemente de quantos quilômetros seus aliados decidam caminhar.

O evento, que já era politicamente inócuo, quase terminou em tragédia coletiva em Brasília. Uma forte descarga elétrica atingiu o acampamento de encerramento da marcha, deixando pelo menos 29 bolsonaristas feridos. Enquanto Bittar exibia suas bolhas no Instagram, dezenas de apoiadores enfrentavam as consequências reais de uma mobilização que os expôs ao perigo climático por uma causa que o Judiciário já considera tecnicamente encerrada e sem espaço para retrocessos processuais.

A insistência de Bittar em uma “marcha de resistência” revela uma profunda desconexão com o rito constitucional brasileiro. O STF reafirmou que as decisões judiciais são pautadas por provas e autos, e não por demonstrações de resistência física ou postagens de pés calejados. A caminhada de 200 km serviu apenas como palco para a autopromoção de parlamentares, sem gerar qualquer movimento favorável aos réus ou qualquer abalo na estrutura jurídica de Brasília.

Para analistas políticos, o único resultado palpável alcançado por Márcio Bittar foi puramente estético e dermatológico: um bronzeado reforçado e pés severamente danificados. Politicamente, o senador não conseguiu mover uma única peça no tabuleiro do poder que pudesse beneficiar Bolsonaro, evidenciando que a retórica do “não vamos retroceder” não substitui a falta de argumentos jurídicos sólidos e o respeito às sentenças transitadas em julgado.

A participação de Bittar no ato também gerou desgaste interno no Acre, onde críticos apontam a priorização de agendas ideológicas em detrimento de resultados legislativos para o estado. Enquanto o senador se dedicava a tratar os ferimentos causados pela caminhada em Brasília, os problemas estruturais da população acreana continuavam sem a devida atenção. A tentativa de se validar através do cansaço físico ignorou que o eleitorado espera produtividade parlamentar, e não registros de ferimentos autoinfligidos.

Ao final da jornada, a imagem que fica é a de um movimento esvaziado de propósito e marcado pela ineficiência. Jair Bolsonaro permanece preso, o STF segue ignorando o clamor das calçadas e os 29 feridos pelo raio tornam-se o balanço sombrio de um protesto sem destino jurídico. Márcio Bittar encerra sua participação com a amarga constatação de que andou muito para chegar a lugar nenhum, restando-lhe apenas o tratamento para os calos e o silêncio das instituições que pretendia intimidar.

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