De olho no governo e de costas para o povo: descaso de Bocalom faz bairro Santa Cecília submergir na lama
Redação Notícia Imediata

A forte chuva que atingiu Rio Branco no final da tarde deste domingo (25) trouxe, mais uma vez, um cenário de desespero e prejuízos para os moradores do bairro Santa Cecília. Nas ruas Enedina Coelho e Cordeiro, o volume de água transbordou bueiros e invadiu residências, destruindo móveis e sonhos. Para a comunidade, a inundação é o retrato fiel da inércia do prefeito Tião Bocalom (PL), que, embora focado em sua pré-candidatura ao governo do Acre, parece ter esquecido os problemas básicos de infraestrutura da capital.
De acordo com os relatos, o transtorno é de pleno conhecimento da gestão municipal, mas a resposta tem sido o silêncio. A vizinhança afirma que a infraestrutura de escoamento da região colapsa a cada chuva mais intensa, evidenciando a falta de manutenção e de obras de drenagem. Enquanto o prefeito articula alianças políticas para sua ascensão ao Palácio Rio Branco, os moradores do Santa Cecília lidam com a lama dentro de suas salas e o descaso de uma administração que não retira os projetos do papel.
A indignação é alimentada por um histórico de tentativas formais de diálogo totalmente ignoradas. Diversos ofícios já foram protocolados junto à Secretaria Municipal de Infraestrutura e Mobilidade Urbana (Seinfra), detalhando os pontos críticos, mas nenhuma medida foi tomada. Para quem vive no bairro, a sensação é de que a cidade está em “modo de espera” enquanto o chefe do executivo prioriza sua agenda de pré-candidato em detrimento das necessidades urgentes da população.
O morador Delson Lima, que viu sua casa ser invadida pela água neste domingo, expressou a revolta acumulada contra a gestão de Bocalom. Ele relembrou que a comunidade já recorreu a medidas extremas para ser ouvida, mas o impacto dessas ações não sensibilizou o poder público. “Já fechamos a BR-364 como forma de protesto para chamar atenção da prefeitura, mostramos todas as dificuldades que a comunidade passa, principalmente no período invernoso, mas ninguém fez nada até agora”, relatou Delson, indignado com a recorrência do problema.
A fala de Delson ecoa o sentimento de abandono de uma periferia que se sente invisível perante os planos ambiciosos de Tião Bocalom. Em protestos anteriores, o bloqueio da rodovia foi a única forma de pautar a situação, mas as promessas feitas pela gestão PL parecem ter sido apenas paliativas. Com a chegada do período de chuvas intensas, as falhas na gestão da Seinfra ficam expostas, punindo as famílias que pagam seus impostos e não recebem o retorno em saneamento e drenagem.
Diante da ausência de soluções, a comunidade agora ameaça endurecer o tom das manifestações e levar o protesto diretamente para o campo político. Os moradores relataram que a BR-364 pode ser fechada novamente a qualquer momento e, desta vez, a rodovia só será reaberta com um compromisso firmado e imediato. O recado é claro: a população não aceita mais que a corrida de Bocalom rumo ao governo do estado atropele as prioridades de quem sofre com o descaso na capital.
O clima no Santa Cecília é de tensão e mobilização. Enquanto limpam a sujeira deixada pelo temporal, os moradores articulam o novo ato. A expectativa agora é ver se o prefeito pré-candidato sairá de sua bolha política para enfrentar os problemas reais das ruas da capital ou se continuará permitindo que o bairro Santa Cecília afunde a cada chuva. Sem um cronograma de obras, o bloqueio da rodovia federal surge como a única ferramenta de pressão contra a paralisia da prefeitura.
