Moradores da Cidade Nova denunciam monitorado que invadiu prédio público e ganhou cargo no CRAS
Redação Notícia Imediata

Apesar de letreiro na fachada identificar o imóvel como igreja, monitorados teriam transformado o lugar em ponto de consumo de drogas, segundo moradores
Uma denúncia de grave irregularidade administrativa e insegurança pública atinge o coração do bairro Cidade Nova, em Rio Branco. Um antigo prédio da prefeitura, onde funcionava uma creche na Rua Nova Andirá, foi invadido anos atrás por um casal que atualmente é monitorado por tornozeleira eletrônica. O caso ganha contornos de escândalo pois, em vez de ser obrigado a desocupar o imóvel com sua esposa, o homem teria sido nomeado para um cargo na prefeitura e trabalha no CRAS, localizado exatamente em frente à invasão.
O imóvel ocupado ilegalmente está estrategicamente posicionado entre a Unidade de Saúde Dr. Mário Maia e o Lions Clube. De acordo com denúncias de moradores, o casal transformou o espaço público em uma moradia particular. “A gente vê o movimento o dia todo. O prédio que era para atender nossas crianças agora é usado como casa deles e, pior, como ponto de droga”, relatou uma moradora que preferiu não se identificar.
A contradição ética é alarmante: o homem que deveria zelar pelo bem público e auxiliar a comunidade através de seu trabalho no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) é o mesmo que mantém uma ocupação irregular. Para a vizinhança, a nomeação soa como um incentivo à invasão. “É um tapa na cara da sociedade ver alguém que invade um prédio público atravessar a rua para trabalhar no CRAS, enquanto a prefeitura finge que não vê”, desabafou um vizinho.
A localização da residência irregular agrava o risco para o público vulnerável, pois fica na mesma rua da Casa Rosa Mulher e a poucos metros de uma escola infantil. Pais de alunos relatam medo constante ao passarem pela frente do local com as crianças. “Eu busco meu filho na escola e aperto o passo. É um entra e sai de gente estranha, todo mundo sabe que ali virou uma boca de fumo protegida pela própria prefeitura”, afirmou um pai indignado.
A comunidade questiona como alguém monitorado pela justiça e em situação de flagrante irregularidade pode exercer função pública em uma área tão sensível quanto a assistência social. Os relatos indicam que a sensação de impunidade é total. “Como ele vai orientar pessoas em vulnerabilidade se ele mesmo está cometendo um crime de invasão e convivendo com o tráfico ali dentro?”, questionou outra moradora.
Os depoimentos apontam que o ambiente no entorno se tornou hostil e degradado. O uso do prédio público como ponto de consumo de entorpecentes destoa completamente da rede de proteção que deveria existir naquela via. “Antigamente aqui era tranquilo, agora a gente tem medo até de ficar na calçada. O barulho e as brigas dentro dessa antiga creche são constantes”, detalhou um idoso que reside no bairro há décadas.
Moradores afirmam que já tentaram buscar providências junto aos órgãos municipais, mas a nomeação do invasor parece servir como um escudo contra qualquer fiscalização. O temor é que o vínculo empregatício com a gestão municipal consolide a posse ilegal do terreno. “Parece que ele tem as costas quentes. O certo era ele sair e o prédio ser reformado para a comunidade, não ele ganhar um salário para morar de graça no que é nosso”, criticou uma líder comunitária.
Diante do escândalo, a vizinhança clama por uma intervenção imediata do Ministério Público. A exigência da comunidade é pela exoneração do servidor e a retomada urgente do patrimônio público, garantindo que a ordem e a segurança retornem à Rua Nova Andirá. “Queremos nosso bairro de volta. Precisamos que as autoridades ajam antes que uma criança seja vítima dessa falta de responsabilidade”, finalizou um outro morador.
Não conseguimos contato com representantes da prefeitura, mesmo assim o espaço segue aberto para possíveis posicionamentos da gestão municipal.
