Gestão Bocalom: desvio de Benzetacil e demais remédios deixa postos de Rio Branco desabastecidos

Marcos Dione, do Notícia Imediata

Gestão Bocalom: desvio de Benzetacil e demais remédios deixa postos de Rio Branco desabastecidos
Publicado em 23/01/2026 às 15:13

A saúde pública de Rio Branco enfrenta um cenário alarmante com a falta de Benzetacil (penicilina benzatina) em diversas unidades básicas. O que agrava a situação é a investigação de que o desabastecimento não se deve apenas a questões logísticas, mas ao desvio do medicamento por servidores públicos. Enquanto as prateleiras dos postos permanecem vazias, o remédio essencial para o tratamento de infecções graves estaria sendo retirado ilegalmente do estoque municipal para fins particulares ou revenda.

O impacto direto desse crime recai sobre a população mais carente, que depende exclusivamente da rede pública. A Benzetacil é o tratamento padrão para doenças como a sífilis e a febre reumática, além de infecções de garganta severas. Sem o medicamento disponível nas unidades de saúde, pacientes saem dos postos apenas com a receita na mão, sem condições financeiras para adquirir o produto em farmácias particulares, onde o preço tem sofrido variações constantes.

A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) tem sido pressionada a endurecer os mecanismos de controle e transparência. Relatos de profissionais da linha de frente indicam que o controle de saída dos lotes apresenta falhas graves, permitindo que servidores com acesso ao estoque manipulem os registros. A falta de rigor na prestação de contas dos insumos facilita a ação criminosa, transformando um recurso público em benefício privado enquanto o cidadão sofre com a interrupção de tratamentos vitais.

Nos bastidores, as denúncias apontam que o desvio não seria um caso isolado, mas uma prática recorrente que aproveita a fragilidade da fiscalização interna. Além da Benzetacil, outros medicamentos de alta demanda também estariam na mira dos infratores. A revolta dos usuários do sistema é latente, já que a escassez do remédio nos postos obriga muitas famílias a recorrerem a alternativas mais caras ou a negligenciarem o tratamento por falta de opção.

Diante da gravidade dos fatos, órgãos de controle e a polícia civil foram acionados para identificar os responsáveis pelo esquema. A expectativa é que auditorias detalhadas nos sistemas de entrada e saída de medicamentos revelem o tamanho do rombo nos cofres e no estoque da saúde. Mais do que uma falha administrativa, o desvio de medicamentos em plena capital é um atentado contra a vida e a dignidade humana, exigindo punições exemplares para os servidores envolvidos.