Secretário de saúde de Rio Branco prioriza pré-campanha de Bocalom enquanto população sofre sem atendimento médico

Marcos Dione, do Notícia Imediata

Secretário de saúde de Rio Branco prioriza pré-campanha de Bocalom enquanto população sofre sem atendimento médico
Foto: reprodução
Publicado em 22/01/2026 às 8:13

Enquanto Rennan Biths exalta “momento singular” de Tião Bocalom, a unidade de saúde da Cadeia Velha completa meses fechada e a falta de medicamentos castiga a população de Rio Branco.

Na teoria, a missão de um Secretário Municipal de Saúde é garantir que o cidadão encontre o remédio na prateleira e a porta do posto aberta. Na prática, em Rio Branco, o secretário Rennan Biths parece ter trocado o estetoscópio pelo material de campanha. Enquanto a rede básica de saúde da capital acreana agoniza, Biths ocupa seu tempo e espaços na mídia local para atuar como arauto da pré-candidatura do prefeito Tião Bocalom (PL) ao Governo do Acre.

Em artigos recentes, o secretário destila elogios ao que chama de “momento singular na história política acreana”, referindo-se ao anúncio feito na última segunda-feira (19). Para Biths, o evento não foi político, mas um “movimento legitimado pela sociedade”. Entretanto, para o morador da Cadeia Velha, o único movimento que se espera ver é o da abertura da unidade de saúde do bairro. Entregue com pompa em novembro do ano passado, o posto segue sem funcionar, servindo apenas como um monumento ao descaso enquanto a comunidade se desloca para longe em busca de atendimento.

Posto de Saúde do Cadeia Velha foi reformado, mas não funciona

A discrepância entre o discurso de “credibilidade construída” e a realidade dos postos de saúde é gritante. Enquanto o secretário perde tempo defendendo a trajetória de seu gestor que sonha comandar o Palácio Rio Branco, faltam medicamentos básicos nas unidades de saúde. O cidadão que procura auxílio médico não quer saber de articulações partidárias ou se o evento da última segunda foi “partidário” ou “social”; ele quer a garantia de que, ao adoecer, terá assistência digna.

Ao se ocupar prioritariamente da pré-campanha de Bocalom, Biths deixa um vácuo administrativo perigoso. A saúde pública de Rio Branco não pode ser tratada como um acessório de palanque eleitoral. Manter uma unidade nova fechada por meses e permitir o desabastecimento de remédios são falhas que nenhuma retórica política consegue esconder. A legitimidade de um gestor, ao contrário do que prega o secretário em seus artigos, não nasce de eventos políticos, mas da eficiência em servir ao público.

O cenário atual sugere que a prioridade da pasta da saúde mudou de endereço: saiu dos postos de atendimento e foi para o comitê de articulação política. Resta saber se a “sociedade” citada por Rennan Biths em seus textos é a mesma que enfrenta as filas e a falta de insumos nos postos. Para quem depende do SUS em Rio Branco, o anúncio da pré-candidatura ao governo soa mais como um abandono precoce da prefeitura do que como um “reconhecimento público”.