Haja havaianas: senador Márcio Bittar diz que fará caminhada de 200 km por anistia ao ex-presidente Bolsonaro
Redação Notícia Imediata

O senador Márcio Bittar (PL-AC) anunciou oficialmente nesta terça-feira (20) que irá se integrar à caminhada de 200 quilômetros em prol da anistia do ex-presidente Jair Bolsonaro e dos detidos pelos atos de 8 de janeiro de 2023. A mobilização ocorre em um momento de forte tensão política, buscando reverter as consequências jurídicas que atingiram o líder do PL e seus apoiadores após o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), que condenou 1.399 pessoas por tentativa de golpe de Estado.
A manifestação, que reúne a cúpula da direita conservadora brasileira, teve início na última segunda-feira (19) em Paracatu (MG). O objetivo do grupo é percorrer o longo trajeto a pé até a capital federal, com previsão de encerramento no próximo domingo (25). Bittar ressaltou que o movimento é uma demonstração de força e lealdade ao ex-presidente, visando dar visibilidade nacional à tese de que os processos judiciais enfrentados por Bolsonaro possuem viés político.
Em vídeo divulgado em suas redes sociais, o senador acreano informou que cancelou todos os compromissos de sua agenda durante o recesso parlamentar para se dedicar integralmente à marcha. Ao lado dos deputados Nikolas Ferreira (PL-MG) e Gustavo Gayer (PL-GO), Bittar reforçou a narrativa de que a anistia é necessária para corrigir o que ele classifica como injustiças cometidas pelo Judiciário contra Bolsonaro e seus aliados mais próximos.
Para Bittar, a figura de Jair Bolsonaro e os demais manifestantes condenados são vítimas de um sistema que ele define como autoritário. “Ele e todos os manifestantes do 8 de janeiro são presos políticos que estão pagando por um crime que não cometeram”, declarou o parlamentar. Com essa postura, o senador busca consolidar-se como um dos principais articuladores do movimento de resistência que pede a reabilitação política plena do ex-mandatário.
A estratégia da caminhada, segundo o senador, é utilizar a persistência física dos manifestantes como um símbolo contra a “tirania do Judiciário”. O movimento acredita que a pressão popular nas ruas, culminando com a chegada em Brasília, pode acelerar o debate sobre projetos de anistia no Congresso Nacional. Para os apoiadores, o ato representa a defesa da democracia; já para os críticos, é uma afronta às decisões das cortes superiores.
A repercussão do anúncio foi imediata no cenário político, gerando duras críticas da oposição. O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) ironizou a iniciativa, comparando a peregrinação bolsonarista às históricas marchas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Segundo Correia, o ato liderado por Bittar e seus aliados não passa de uma “cortina de fumaça” para tentar apagar a gravidade das ações contra o Estado Democrático de Direito.
O parlamentar petista recordou que o MST já utilizou marchas semelhantes para causas sociais e pela liberdade do atual presidente Lula em 2018. Na época, a Marcha Nacional Lula Livre levou milhares de pessoas a Brasília. A comparação serve para evidenciar a inversão de papéis no uso das táticas de mobilização popular, com a direita agora adotando a caminhada de longa distância como ferramenta de protesto político e jurídico.
O desfecho do movimento é aguardado com expectativa para o próximo domingo (25), quando o grupo chegará a Brasília para uma grande manifestação. Enquanto Bittar aposta na marcha para garantir a anistia de Bolsonaro e o direito de sua participação nas próximas eleições, o governo e o Judiciário mantêm a vigilância sobre os desdobramentos de um ato que volta a colocar o coração do poder no centro de uma disputa narrativa intensa.
