Deputaiada do Acre não destina um só centavo para proteger o Meio Ambiente em 2026

Redação Notícia Imediata

Deputaiada do Acre não destina um só centavo para proteger o Meio Ambiente em 2026
Publicado em 04/01/2026 às 7:12

Apesar de o Acre estar localizado no centro das discussões sobre a preservação da Amazônia, os seus representantes no Congresso Nacional não destinaram nenhum recurso das emendas individuais para ações ligadas ao meio ambiente ou ao enfrentamento das mudanças climáticas no Orçamento de 2026. A revelação consta em um levantamento detalhado do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), divulgado pela Folha de S.Paulo, que analisou a distribuição das emendas parlamentares aprovadas pelo Legislativo Federal.

O estudo aponta que a negligência com a agenda ambiental é um fenômeno nacional, mas atinge níveis críticos em estados como o Acre. Do total de R$ 26,6 bilhões indicados por deputados e senadores em emendas individuais para todo o Brasil, apenas R$ 154 milhões (o que representa ínfimos 0,58%) foram direcionados ao setor. O Acre figura no “grupo do zero”, ao lado de outras sete unidades da federação cujas bancadas optaram por ignorar completamente o financiamento de projetos ambientais através desse mecanismo de repasse.

Na Câmara dos Deputados, a bancada acreana é composta por Socorro Neri (PP)Meire Serafim (União)Coronel Ulysses (União)Zezinho Barbary (PP)Gerlen Diniz (PP)Antônia Lúcia (Republicanos)Eduardo Velloso (União)Roberto Duarte (Republicanos). Mesmo com o estado sofrendo recorrentemente com secas extremas e recordes de queimadas que afetam a saúde da população, nenhum dos oito parlamentares priorizou a destinação de verbas para o fortalecimento da fiscalização ou conservação dos ecossistemas locais.

No Senado Federal, o cenário de omissão se repete com os três representantes do estado: Alan Rick (União)Márcio Bittar (PL) e Sérgio Petecão (PSD). Os senadores, que possuem fatias significativas do orçamento para indicar a municípios e projetos estaduais, seguiram a tendência da bancada na Câmara, focando seus recursos em áreas como infraestrutura e saúde, deixando de fora o suporte financeiro necessário para mitigar os impactos das crises climáticas que assolam a região amazônica.

A ausência de investimentos específicos é vista por especialistas como um descompasso entre a realidade vivida pelo estado e as prioridades políticas em Brasília. Enquanto o governo estadual e órgãos ambientais buscam recursos internacionais para conter o desmatamento, a “verba carimbada” dos parlamentares — que chega mais rápido à ponta — acaba sendo pulverizada em outras frentes, muitas vezes visando apenas o retorno eleitoral imediato em suas bases municipais.

As chamadas “emendas pix” e as transferências diretas têm sido o destino preferido da maioria desses políticos, o que dificulta o controle social sobre o impacto real desses gastos. Sem a indicação para o meio ambiente, programas de recuperação de áreas degradadas, apoio a comunidades extrativistas e brigadas de combate a incêndios florestais ficam dependentes exclusivamente do orçamento direto dos ministérios, que muitas vezes sofrem contingenciamentos.

O levantamento do Inesc acende um alerta sobre a responsabilidade dos parlamentares acreanos diante do cenário global de emergência climática. Com o Orçamento de 2026 já selado sem previsão de recursos individuais da bancada para o setor, o estado perde a oportunidade de utilizar o peso político de seus representantes para liderar soluções sustentáveis, reforçando uma imagem de desinteresse legislativo pela proteção do bioma que sustenta a economia e a vida no Acre.

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