Bocalom anuncia festa de Natal com empolgação enquanto população enfrenta a agonia de mais uma alagação
Redação Notícia Imediata

O cenário em Rio Branco neste sábado (27) é de um contraste profundo e preocupante. Enquanto o Rio Acre atingia a cota de transbordamento de 14 metros, inundando as primeiras casas em bairros alagadiços, a gestão do prefeito Tião Bocalom (PL) seguia com a divulgação intensa da programação do “Natal de Vida, Esperança e Dignidade”. Para muitos moradores que agora lutam para salvar móveis e eletrodomésticos da lama, o clima de celebração na Praça da Revolução parece distante da realidade urgente das áreas de risco.
A programação festiva para este sábado e domingo prevê uma série de atrações musicais e culturais no centro da capital, com início às 18h30. O evento conta com apresentações de DJs, pintura corporal e concursos de dança e dublagem. No entanto, o anúncio dessas atividades ocorre no exato momento em que a Defesa Civil Municipal emite alertas críticos e famílias inteiras começam a ser deslocadas de suas casas devido à rápida elevação do manancial, que subiu 27 centímetros em apenas quatro horas.
Nas redes sociais e nos bairros atingidos, o clima é de apreensão, contrastando com o otimismo das peças publicitárias da prefeitura. Enquanto a população das zonas baixas monitora o nível da água que já invade quintais, a agenda oficial convida as famílias para “momentos de lazer e brincadeiras”. Para as vítimas da alagação, a prioridade não é o entretenimento, mas sim a logística de socorro e a incerteza sobre onde passarão as próximas noites, dado que o rio já superou a cota de alerta de 13,50 metros.
O contraste levanta críticas sobre as prioridades da gestão Bocalom em meio a uma crise ambiental sazonal, mas sempre severa. Embora a prefeitura mantenha as equipes da Defesa Civil em campo, a manutenção de uma estrutura de festa de grande porte gera um sentimento de desconexão com a dor de quem perde bens materiais para a cheia. A festa na Praça da Revolução ocorre sob a sombra de um Rio Acre que, alimentado pelas águas das cabeceiras, não dá sinais de recuo imediato.
Com o boletim assinado pelo tenente-coronel Cláudio Falcão confirmando o estado crítico, a cidade se divide entre o som dos DJs e o barulho das caminhonetes de mudança. A expectativa é que, com o agravamento das inundações, a administração municipal seja pressionada a redirecionar o foco total das atenções e recursos para o amparo direto às famílias desabrigadas, em vez de insistir em uma agenda festiva que ignora a urgência das águas.
