Mesmo após testes, Defesa Civil não alertou população sobre enxurradas e chuva intensa em Rio Branco
Marcos Dione, do Notícia Imediata

Rio Branco viveu um dia difícil nesta sexta-feira (26) após mais de 15 horas de chuva ininterrupta, que resultou em um acumulado superior a 170 mm. O temporal transformou ruas em rios e causou transbordamentos de igarapés em diversos bairros, deixando milhares de famílias em situação de vulnerabilidade. No entanto, o cenário de caos foi agravado por um fator crítico: o vácuo de informações oficiais por parte da Prefeitura, que falhou em utilizar seus canais digitais para prestar orientações em tempo real.
Enquanto a população buscava desesperadamente por rotas seguras e notícias sobre o nível das águas, as redes sociais da administração municipal mantiveram-se estáticas ou focadas em postagens institucionais irrelevantes para o momento de crise. Não houve a publicação de mapas de interdição, boletins de emergência ou avisos preventivos que pudessem mitigar os prejuízos de quem teve a casa invadida pela enxurrada. A ausência de um monitoramento digital eficiente deixou os cidadãos dependentes de boatos e vídeos informais em aplicativos de mensagens.
A Defesa Civil Municipal, embora tenha se manifestado tardiamente para confirmar a gravidade do evento, foi alvo de duras críticas pela inexistência de alertas antecipados sobre os riscos de deslizamentos e alagamentos severos. Com o solo saturado e as encostas apresentando sinais de instabilidade, a falta de um sistema de aviso sonoro ou de SMS massivo em áreas de alto risco evidenciou uma fragilidade perigosa no plano de contingência da cidade, que já deveria estar em alerta máximo devido ao histórico climático da região.
A gravidade da situação se reflete nos números: o volume de chuva registrado em menos de um dia quase atingiu o recorde histórico de 2023, provocando o transbordamento simultâneo de igarapés como o Judia e o São Francisco. Famílias inteiras perderam móveis e eletrodomésticos, e muitos moradores ficaram isolados em seus bairros sem saber a quem recorrer ou para onde se deslocar, uma vez que os canais de comunicação direta com o poder público não ofereciam respostas rápidas condizentes com a urgência da enchente.
Até o final desta tarde, o sentimento de abandono predominava entre os rio-branquenses, que cobram uma postura mais transparente e tecnológica da gestão municipal. É imperativo que a comunicação de crise seja tratada como um serviço essencial, capaz de salvar vidas e minimizar danos materiais. O silêncio das autoridades nas plataformas digitais, em meio a uma das maiores catástrofes climáticas do ano, demonstra uma desconexão preocupante entre a prefeitura e a realidade vivida pela população nas ruas submersas.
