Foto de Juan Vicent sobre contraste social durante show de drones viraliza com mais de 1 milhão de visualizações
Redação Notícia Imediata

Uma fotografia impactante capturada pelo fotojornalista Juan Vicent Gonzáles Diaz tornou-se o centro de um fervoroso debate sobre prioridades públicas em Rio Branco. A imagem, que já ultrapassou a marca de um milhão de visualizações nas redes sociais, não foca no brilho das festividades natalinas, mas sim no duro contraste entre a tecnologia e a miséria. O registro captura um homem em situação de rua deitado ao solo, enquanto, ao fundo, o céu é iluminado por um show de drones de última geração.
O espetáculo tecnológico em questão custou aos cofres públicos a cifra de R$ 750 mil, o que representa um investimento de aproximadamente R$ 50 mil por minuto. Enquanto a gestão municipal direciona recursos significativos para um “balé” de luzes artificiais, a fotografia revela que as políticas públicas parecem não alcançar com a mesma eficácia aqueles que habitam o “chão” da cidade. A disparidade de valores choca a opinião pública e levanta questionamentos sobre a alocação de verbas em uma região com carências sociais básicas.
A repercussão da imagem ganhou contornos ainda mais polêmicos após declarações recentes do Secretário de Comunicação de Rio Branco, Ailton Oliveira. Em entrevista ao programa Gazeta Entrevista, o secretário sugeriu que o uso da imagem de pessoas em situação de rua durante o evento teria um caráter “simbólico”. A fala foi recebida com críticas por diversos setores da sociedade, que interpretaram a declaração como uma tentativa de minimizar a gravidade da vulnerabilidade social exposta na fotografia.
Com mais de 13 mil curtidas e milhares de compartilhamentos, o registro de Juan Vicent transcendeu a estética artística para se tornar um manifesto político digital. Internautas utilizam o alcance da publicação para cobrar maior transparência e humanidade na aplicação do dinheiro público. A viralização evidencia que a sociedade está cada vez mais atenta à desconexão entre o marketing governamental e a realidade enfrentada pela população mais carente da capital acreana.
Diante do cenário de indignação, a fotografia permanece como um símbolo desconfortável das desigualdades locais. Ela força uma reflexão necessária sobre o que deve ser prioridade para uma administração: o investimento em eventos de visibilidade momentânea ou a estruturação de uma rede de apoio que retire o cidadão da condição de “vulnerabilidade extrema” retratada no asfalto. O milhão de visualizações alcançado pela foto garante que o debate sobre a ética da gestão pública continue ecoando muito além das luzes dos drones.
