Falta de assistentes sociais nos CRAS causa suspensão em massa do BPC/LOAS em Rio Branco
Redação Notícia Imediata

A população de Rio Branco enfrenta uma crise humanitária silenciosa devido à interrupção de pagamentos do Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS). O problema não decorre de mudanças nas regras federais, mas sim de uma falha crítica na gestão municipal. Segundo relatos de moradores, a falta de assistentes sociais nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) impede a realização das vistorias e atualizações cadastrais obrigatórias, deixando centenas de beneficiários em situação de vulnerabilidade extrema.
O processo de atualização do Cadastro Único, que deve ocorrer a cada dois anos, tornou-se um beco sem saída para os cidadãos. Mesmo comparecendo às unidades de atendimento, muitos moradores não conseguem concluir o processo porque não há profissionais disponíveis para assinar as fichas ou realizar as visitas técnicas necessárias. Sem a devida alimentação do sistema por parte da prefeitura, o INSS interpreta a ausência de dados como abandono ou irregularidade, procedendo com o bloqueio imediato dos valores.
O que causa maior indignação é a falta de transparência da prefeitura perante os órgãos federais. Ao não informar que a falha é estrutural e decorrente da carência de pessoal, a administração municipal permite que a culpa recaia sobre o beneficiário. Na prática, o sistema registra que o cidadão não compareceu para a atualização, quando, na verdade, ele foi ao CRAS e foi negligenciado por falta de equipe técnica, caracterizando uma grave omissão do poder público local.
Essa situação inédita na capital acreana atinge diretamente idosos e pessoas com deficiência que dependem exclusivamente do salário mínimo do BPC para comprar alimentos e remédios. A incompetência administrativa tem gerado uma confusão de informações, levando muitos a acreditarem que o corte partiu do Governo Federal, enquanto o verdadeiro gargalo está na gestão do prefeito, que não garantiu o contingente necessário de assistentes sociais para atender a demanda da assistência social básica.
Diante do absurdo, famílias afetadas já começam a buscar apoio jurídico para reverter as suspensões. É urgente que a Prefeitura de Rio Branco regularize o quadro de funcionários e emita uma notificação oficial ao INSS assumindo a responsabilidade pelo atraso nas atualizações. Enquanto o problema não é resolvido, o direito fundamental à sobrevivência de milhares de rio-branquenses permanece sob ameaça por pura ineficiência burocrática.
