Exclusão acadêmica: família de estudante autista expõe negligência sistemática da Unama Rio Branco

Redação Notícia Imediata

Exclusão acadêmica: família de estudante autista expõe negligência sistemática da Unama Rio Branco
Publicado em 17/12/2025 às 12:31

O caso do estudante de Direito Murilo Sampaio, que possui Transtorno do Espectro Autista (TEA), tem gerado grande repercussão e indignação nas redes sociais e na comunidade de Rio Branco. Segundo o relato de seu irmão, o contador Ruth Sampaio, Murilo teve a solicitação de uma prova adaptada recusada pela Faculdade Unama. O aluno, que possui nível de suporte 3, necessita de recursos específicos para sua avaliação, mas foi impedido de concluir a atividade pela segunda vez, saindo da sala sem nota e sem o suporte pedagógico adequado às suas necessidades.

O aspecto mais contrastante da denúncia reside na discrepância entre o discurso institucional e a prática pedagógica vivenciada pelo aluno. Ruth Sampaio destacou que a Unama realiza campanhas constantes de conscientização sobre o autismo e exibe banners de inclusão em seus corredores. Para a família, essa estratégia de marketing social entra em total contradição com a recusa em aplicar uma prova adaptada, o que fere diretamente o princípio de acessibilidade e o direito à educação garantido pela legislação vigente.

Em seu desabafo nas redes sociais, o irmão de Murilo enfatizou que a negligência da instituição tem dificultado severamente o processo de aprendizado, afirmando que a luta por essas adaptações ocorre desde o início do ano letivo. A privação de recursos pedagógicos para um aluno com nível 3 de suporte acarreta prejuízos acadêmicos e emocionais profundos. O caso levanta discussões sobre o possível descumprimento da Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015), que obriga as instituições de ensino a promoverem o acesso pleno e igualitário aos estudantes.

Diante da gravidade do ocorrido, a família busca agora a intervenção de órgãos externos, como o Ministério Público, para assegurar que os direitos de Murilo sejam respeitados. A mobilização online cresce com o apoio da comunidade acadêmica e de grupos de defesa dos direitos das pessoas autistas, que cobram uma postura ética da faculdade. O objetivo é garantir que o ambiente educacional deixe de ser um obstáculo e se torne, de fato, um espaço de acolhimento, diversidade e respeito aos direitos humanos.

Procurada pelo Portal Notícia Imediata para se posicionar sobre as denúncias, a instituição enviou nota oficial: “A UNAMA Rio Branco informa que está apurando o ocorrido. A instituição reforça que todos os estudantes que possuem laudos apresentados recebem os suportes pedagógicos previstos, incluindo adaptações e acompanhamento especializado, como o apoio de ledores, quando necessário. A universidade reafirma seu compromisso com a inclusão, a acessibilidade e o respeito à diversidade e se coloca à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais”.

Apesar do posicionamento da universidade, a família reitera que o atendimento especializado mencionado na nota não foi efetivado na prática durante as avaliações de Murilo. O contraste entre a nota oficial e o relato do irmão do estudante mantém a pressão sobre a gestão da faculdade por medidas concretas e imediatas. O caso acende um alerta sobre a necessidade de as instituições de ensino superior irem além dos protocolos teóricos e garantirem que o suporte chegue efetivamente à ponta, no momento da avaliação do aluno.

O desfecho deste impasse é aguardado com atenção, servindo como um marco para a luta pela inclusão no ensino superior no Acre. Enquanto a apuração interna da Unama prossegue, o Portal Notícia Imediata continua acompanhando os desdobramentos jurídicos e administrativos da denúncia. A expectativa da comunidade é que a educação inclusiva seja tratada com a seriedade que a lei exige, garantindo que estudantes como Murilo Sampaio tenham suas trajetórias acadêmicas preservadas e respeitadas.

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