Após privatizar mercados, Bocalom defende ‘terceirização’ da saúde pública em Rio Branco

Marcos Dione, do Notícia Imediata

Após privatizar mercados, Bocalom defende ‘terceirização’ da saúde pública em Rio Branco
Publicado em 16/12/2025 às 21:11

O Prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PL), reacendeu um intenso debate sobre a gestão pública na capital acreana ao defender publicamente a adoção de modelos de gestão privada na rede municipal de saúde, especialmente para suprir a falta de profissionais em unidades. A declaração foi feita em uma entrevista veiculada nesta terça-feira (16) pelo ac24horas e acontece poucos dias após a Câmara Municipal aprovar a autorização para a concessão de mercados públicos à iniciativa privada.

Ao comentar a proposta para a saúde, Bocalom argumentou que a medida não seria uma “privatização do sistema”, mas sim a terceirização da gestão de mão de obra por meio da contratação de empresas. Segundo ele, essa parceria seria uma solução para a incapacidade da prefeitura em manter o quadro completo de profissionais via concurso. O prefeito argumentou que, neste formato, a responsabilidade pela reposição de médicos e enfermeiros, em caso de ausência, passa para a empresa contratada, garantindo a continuidade do atendimento à população e evitando que unidades fiquem sem serviço.

O novo posicionamento se soma à polêmica recente envolvendo os mercados municipais da capital. Na última semana, a Câmara aprovou um Projeto de Lei Complementar enviado pelo Executivo que autoriza a concessão dos mercados à iniciativa privada por um prazo que pode chegar a 35 anos. A medida, que visa a modernização e eficiência dos espaços, gerou protestos e forte mobilização de feirantes e permissionários, que alegam terem sido surpreendidos e temem perder boxes ocupados há décadas e enfrentar um aumento de taxas.

As propostas de concessão e terceirização sinalizam uma clara política de gestão por parte do prefeito Bocalom, que relaciona a adoção de modelos privados à necessidade de eficiência e ao equilíbrio das contas públicas. Enquanto a gestão defende que a iniciativa privada trará melhorias na qualidade dos serviços e na manutenção das estruturas, as propostas acendem o alerta da oposição e dos trabalhadores, que veem nas medidas um risco de precarização e perda de direitos e espaços históricos.