Após privatizar mercados, Bocalom defende ‘terceirização’ da saúde pública em Rio Branco
Marcos Dione, do Notícia Imediata

O Prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PL), reacendeu um intenso debate sobre a gestão pública na capital acreana ao defender publicamente a adoção de modelos de gestão privada na rede municipal de saúde, especialmente para suprir a falta de profissionais em unidades. A declaração foi feita em uma entrevista veiculada nesta terça-feira (16) pelo ac24horas e acontece poucos dias após a Câmara Municipal aprovar a autorização para a concessão de mercados públicos à iniciativa privada.
Ao comentar a proposta para a saúde, Bocalom argumentou que a medida não seria uma “privatização do sistema”, mas sim a terceirização da gestão de mão de obra por meio da contratação de empresas. Segundo ele, essa parceria seria uma solução para a incapacidade da prefeitura em manter o quadro completo de profissionais via concurso. O prefeito argumentou que, neste formato, a responsabilidade pela reposição de médicos e enfermeiros, em caso de ausência, passa para a empresa contratada, garantindo a continuidade do atendimento à população e evitando que unidades fiquem sem serviço.
O novo posicionamento se soma à polêmica recente envolvendo os mercados municipais da capital. Na última semana, a Câmara aprovou um Projeto de Lei Complementar enviado pelo Executivo que autoriza a concessão dos mercados à iniciativa privada por um prazo que pode chegar a 35 anos. A medida, que visa a modernização e eficiência dos espaços, gerou protestos e forte mobilização de feirantes e permissionários, que alegam terem sido surpreendidos e temem perder boxes ocupados há décadas e enfrentar um aumento de taxas.
As propostas de concessão e terceirização sinalizam uma clara política de gestão por parte do prefeito Bocalom, que relaciona a adoção de modelos privados à necessidade de eficiência e ao equilíbrio das contas públicas. Enquanto a gestão defende que a iniciativa privada trará melhorias na qualidade dos serviços e na manutenção das estruturas, as propostas acendem o alerta da oposição e dos trabalhadores, que veem nas medidas um risco de precarização e perda de direitos e espaços históricos.
