Deputado Antônio Doido é alvo de operação da PF por corrupção e lavagem de dinheiro público

Redação Notícia Imediata

Deputado Antônio Doido é alvo de operação da PF por corrupção e lavagem de dinheiro público
Publicado em 16/12/2025 às 19:13

A Polícia Federal (PF) deflagrou uma grande operação para desarticular uma organização criminosa suspeita de atuar em esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo recursos públicos. Entre os alvos está o deputado federal Antônio Leocádio dos Santos (MDB), conhecido como Antônio Doido. A ação visa cumprir 31 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), com foco nos estados do Pará e no Distrito Federal. O caso, que apura desvios de verbas federais e estaduais, está sob a relatoria do ministro Flávio Dino.

Durante o cumprimento dos mandados, o comportamento do parlamentar chamou a atenção: ele foi flagrado jogando seu aparelho celular pela janela de seu apartamento, em uma clara tentativa de impedir que o dispositivo fosse apreendido e periciado pelas autoridades. A investigação da PF aponta que os envolvidos utilizavam fraudes em processos licitatórios para desviar verbas provenientes de emendas parlamentares e recursos estaduais. Posteriormente, o dinheiro desviado era empregado no pagamento de vantagens indevidas e na ocultação de patrimônio, caracterizando o crime de lavagem.

As diligências da PF resultaram na apreensão de diversos bens, evidenciando o padrão de vida incompatível com a renda do grupo, incluindo uma significativa quantia em dinheiro vivo e itens de alto valor. Em um dos endereços ligados ao deputado, por exemplo, foram apreendidos cerca de 200 mil em vinhos, além de relógios caros. Os suspeitos enfrentam a possibilidade de serem indiciados por uma série de crimes graves, tais como corrupção ativa e passiva, crimes licitatórios, corrupção eleitoral, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Esta não é a primeira vez que o deputado Antônio Doido se depara com problemas na Justiça Eleitoral. No início deste mês, o Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA) o declarou inelegível por oito anos, devido à prática de abuso de poder político e econômico nas eleições municipais de 2024 para prefeito. A sentença, proferida pelo juiz eleitoral, concluiu que o parlamentar usou indevidamente recursos públicos de emendas para promover sua imagem e influenciar o eleitorado, caracterizando abuso de poder.

A decisão do TRE-PA aponta que o deputado utilizou as emendas para financiar grandes eventos, como shows e sorteios de prêmios de alto valor, além de vincular obras públicas ao seu nome, solicitando votos explicitamente. Essa condenação o torna inelegível até 2032, embora a decisão ainda caiba recurso às instâncias superiores. Paralelamente, o deputado não se posicionou sobre a operação deflagrada pela PF. O caso reforça a gravidade das acusações que o parlamentar enfrenta tanto na esfera criminal quanto na eleitoral.