Fim da reeleição no Executivo e eleições unificadas: o que muda na política brasileira?
Redação Notícia Imediata

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 12/2022), que estabelece o fim da reeleição para Presidente da República, governadores e prefeitos. A medida, que busca promover maior alternância de poder e isonomia nas disputas eleitorais, vem acompanhada de outras mudanças estruturais, como o aumento da duração dos mandatos e a unificação das eleições.
A proposta segue agora para análise e votação em dois turnos no Plenário do Senado. Se aprovada, ainda terá que ser apreciada pela Câmara dos Deputados.
O texto aprovado na CCJ introduz três eixos centrais de alteração no sistema eleitoral brasileiro:
1. Extinção da reeleição para o Executivo
- A regra: Presidentes, governadores e prefeitos não poderão mais se candidatar à reeleição para um segundo mandato consecutivo.
- O argumento: O relator da PEC e seus defensores argumentam que a reeleição desequilibra a disputa, pois o político no cargo (o “uso da máquina pública”) tem uma vantagem significativa sobre os demais candidatos, o que prejudica a isonomia e a alternância de poder.
2. Aumento e uniformização dos mandatos
- Executivo (Presidente, Governador, Prefeito): O mandato passa de quatro para cinco anos.
- Legislativo (Senador, Deputado Federal, Deputado Estadual e Vereador): O mandato também passa a ser de cinco anos (atualmente, é de quatro anos, exceto Senador, que é de oito anos).
- Senadores: O mandato, que é de oito anos, será reduzido para cinco anos, com direito à reeleição, a partir de 2039.
3. Unificação das eleições
- A partir de 2034, todas as eleições no país (municipais, estaduais e federais) deverão ocorrer simultaneamente, a cada cinco anos.
- Atualmente, as eleições ocorrem a cada dois anos, alternando entre eleições municipais e eleições gerais (Presidente, Governador, Senador e Deputados).
As mudanças não serão imediatas. A PEC estabelece um período de transição para adequar o calendário eleitoral e o fim da reeleição.
| Cargo | Última Reeleição Permitida | Mandato de Transição |
| Prefeitos e Vereadores | Eleitos em 2024 podem tentar reeleição em 2028. | Os eleitos em 2028 terão mandato de seis anos, para coincidir com 2034. |
| Presidente e Governadores | Eleitos em 2026 podem tentar reeleição em 2030. | Os eleitos em 2030 não poderão ser reconduzidos ao cargo. |
| Senadores | Eleitos em 2030 terão mandato de nove anos, para coincidir com a eleição de todos os senadores em 2039. |
A partir de 2034, a reeleição para cargos do Executivo estará definitivamente proibida e o ciclo eleitoral será de cinco anos.
A proposta levanta um debate sobre o futuro da governabilidade e da democracia no Brasil.
Vantagens argumentadas:
- Maior Alternância de Poder: Sem a possibilidade de reeleição, espera-se uma renovação mais frequente dos líderes.
- Isonomia Eleitoral: A proibição reduziria a vantagem do incumbente que usa a “máquina pública” em benefício de sua campanha.
- Governança de Longo Prazo: Com o mandato de cinco anos e sem a pressão da reeleição, o chefe do Executivo poderia focar mais em políticas de médio e longo prazo, tomando decisões mais impopulares, porém necessárias, no início de sua gestão.
- Redução de Custos: A unificação das eleições a cada cinco anos diminuiria os custos com a organização dos pleitos e o tempo de “paralisação” do país em ano eleitoral.
Críticas e Pontos de Atenção:
- Experiência Descartada: Críticos argumentam que a reeleição permite que um líder de sucesso use a experiência adquirida no primeiro mandato para consolidar e aprofundar boas políticas no segundo.
- Responsabilidade Política: A impossibilidade de ser reeleito poderia diminuir a sensação de responsabilidade do governante perante o eleitorado no final de seu mandato.
- Mandato-Tampão e Nove Anos de Senador: O período de transição, com mandatos estendidos para prefeitos (seis anos) e senadores (nove anos), é visto como uma complicação e ponto de discórdia.
A reeleição foi introduzida na Constituição Federal em 1997, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, que se reelegeu em 1998. Desde então, todos os presidentes buscaram a recondução ao cargo. A PEC 12/2022, se aprovada, representa um retorno à tradição constitucional brasileira anterior a 1997, que vedava a recondução imediata.
