TCP: facção criminosa que se camufla em igrejas e usa bandeira de Israel como símbolo chega ao Acre
Redação Notícia Imediata

A chegada estruturada do Terceiro Comando Puro (TCP) ao Acre acendeu o alerta máximo nos órgãos de segurança de Rondônia, segundo reportagem publicada pelo Portal Rio Madeira. Conhecida como a “facção evangélica”, a organização criminosa se camufla como igreja, usando estética religiosa, discurso moralizante e símbolos bíblicos para ocultar atividades ilegais e consolidar territórios. Um dos principais emblemas do grupo é a bandeira de Israel, frequentemente associada à facção em pichações e materiais de intimidação.
Sinais dessa atuação já aparecem na região de fronteira: pichações com a Estrela de Israel, ataques a terreiros e espaços de religiões de matriz africana e a imposição de códigos religiosos rígidos, repetindo o padrão observado em áreas dominadas pelo TCP no Rio de Janeiro e no Norte do país. Investigadores confirmam que o grupo está consolidado no Acre, Amazonas e Pará, avançando por rotas fluviais e comunidades vulneráveis.
Originado no Rio de Janeiro, o TCP ganhou projeção nacional pela forte camuflagem religiosa, como no chamado Complexo de Israel, onde ergueu símbolos cristãos para marcar domínio territorial. Mesmo após operações policiais que derrubaram templos clandestinos, a facção acelerou a expansão e mantém atuação ou alianças em diversos estados, com crescimento mais rápido e discreto na Amazônia.
A região amazônica tornou-se estratégica por fatores como rios usados como corredores logísticos, ausência histórica do Estado e vulnerabilidade social. Nesse cenário, o TCP disputa espaço com outras facções enquanto impõe sua falsa moral religiosa e promove intolerância, especialmente contra religiões afro-brasileiras, usando a fé como instrumento de controle social.
Nos últimos dois anos, o Acre passou a ser uma das principais portas de entrada da facção na Amazônia, elevando o risco para Rondônia. Relatórios de inteligência apontam que líderes criminosos se apresentam como pastores ou missionários, reduzindo a resistência das comunidades e dificultando a identificação pelas autoridades.
Com o avanço pelo Norte, Rondônia entra na rota natural da expansão do TCP. Especialistas alertam para o risco de conflitos entre facções, aumento do tráfico, pressão sobre comunidades periféricas e expansão da intolerância religiosa. Para analistas, trata-se de um crime que se disfarça de fé, exigindo resposta preventiva e integrada do Estado antes que a facção crie raízes no território rondoniense.
