RBTRANS endurece regras contra motoristas de app enquanto faz vistas grossas para ônibus sucateados da Ricco

Redação Notícia Imediata

RBTRANS endurece regras contra motoristas de app enquanto faz vistas grossas para ônibus sucateados da Ricco
Publicado em 11/12/2025 às 16:00

A Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (RBTRANS) publicou nesta quinta-feira (11) a Portaria nº0346/2025, impondo uma série de novas exigências para motoristas e motociclistas que atuam por aplicativos em Rio Branco. A norma, que complementa a Portaria nº 0164/2025, amplia a fiscalização sobre o transporte privado individual e reforça o controle do município sobre a categoria — na contramão da leniência historicamente vista com o sistema de ônibus da capital.

Apesar dos constantes relatos de coletivos velhos circulando com falhas mecânicas, quebras diárias, panes em horário de pico e até episódios de rodas se desprendendo dos veículos, a RBTRANS segue tolerante com as empresas que operam o transporte público. Enquanto isso, para quem trabalha por aplicativo, o rigor é absoluto.

A nova portaria determina vistoria obrigatória em todos os veículos utilizados em plataformas digitais, com checagem de freios, pneus, iluminação, retrovisores e documentação. Para motos, os condutores devem apresentar o veículo equipado com protetor de perna e motor, alças metálicas e corta-linha. A idade máxima dos veículos passa a ser de dez anos, e todos precisam ter placa registrada em Rio Branco. Para motocicletas, a cilindrada mínima exigida é de 120 cc, com prazo de 120 dias para adequação dos já cadastrados.

Além disso, os motociclistas precisam portar um Certificado de Autorização em formato de cartão e possuir CNH com observação EAR (Exerce Atividade Remunerada). A portaria também impõe regras para o uso de capacetes e vestimentas, proibindo roupas que possam se assemelhar a uniformes de taxistas ou mototaxistas.

Outra determinação rígida é a proibição de que motoristas e motociclistas de aplicativo permaneçam em pontos fixos próximos a áreas destinadas ao transporte público. Também não podem abordar passageiros diretamente, especialmente em locais de grande fluxo como terminais, pontos de táxi, rodoviária, aeroporto e mercados. Fica ainda vetado o uso de painéis luminosos e o atendimento fora das plataformas digitais, condutas que passam a ser tratadas como transporte clandestino ou irregular, sujeitas a multas e até encaminhamento à autoridade policial.

Enquanto o transporte coletivo segue operando com veículos sucateados, faltas recorrentes e falhas que colocam em risco a segurança da população, a RBTRANS parece concentrar seus esforços em apertar ainda mais o cerco sobre quem trabalha de forma independente. A disparidade de tratamento entre os dois setores levanta questionamentos sobre prioridades, transparência e o real compromisso do município com a mobilidade urbana e a segurança dos passageiros.