Reitora da Ufac vira alvo de ataques pessoais durante crise interna; instituição reage com notas de repúdio e recebe apoio nacional

Marcos Dione, do Notícia Imediata

Reitora da Ufac vira alvo de ataques pessoais durante crise interna; instituição reage com notas de repúdio e recebe apoio nacional
Publicado em 03/12/2025 às 21:26

A reitora da Universidade Federal do Acre (Ufac), Guida Aquino, tornou-se alvo de uma série de ataques pessoais nas últimas semanas, em meio às tensões com o movimento grevista de docentes. As investidas, que incluem acusações consideradas difamatórias pela administração, geraram forte reação da instituição e mobilizaram apoio de entidades acadêmicas de todo o país.

Os ataques ocorrem paralelamente ao período de debate salarial e de reivindicações internas, mas, segundo a Ufac, ultrapassaram os limites da crítica institucional e passaram a atingir diretamente a honra e a integridade da gestora.


Campanha de ataques e divulgação de acusações

De acordo com a universidade, parte do comando local de greve da Adufac divulgou conteúdos que, segundo a Reitoria, tinham como objetivo “desprestigiar a trajetória profissional da reitora” e criar desgaste de sua imagem pública.

Entre os conteúdos disseminados, estava uma reportagem com acusações graves contra a gestão, considerada pela Ufac como “manobra difamatória” e “tentativa de chantagem”. A administração afirma que o material foi difundido sem qualquer comprovação e divulgado de forma a atingir diretamente a honra da dirigente.


Reitora diz ter sido alvo de desrespeito em reunião com grevistas

Em meio ao confronto, a reitora suspendeu uma reunião com representantes do movimento grevista, alegando ter sido alvo de “desrespeito” durante a conversa.

Segundo Guida Aquino, críticas e reivindicações fazem parte da vida universitária, mas o que ocorreu naquele momento extrapolou o campo do debate e se tornou ataque pessoal, dificultando o andamento das negociações.

A suspensão da reunião acirrou o clima institucional e motivou novas manifestações públicas de ambos os lados.


Ufac reage: notas oficiais e pedido de retratação

Diante da escalada do conflito, a Ufac publicou nota de repúdio condenando “veementemente” os ataques direcionados à reitora. No documento, a instituição afirma que:

  • as acusações tinham caráter pessoal e não institucional;
  • houve deturpação de fatos para atingir a imagem da gestora;
  • a universidade exige retratação pública daqueles que promoveram e difundiram as ofensas.

A nota também reforça que a Ufac “não tolerará condutas que atentem contra a ética, o respeito e a integridade de qualquer membro da comunidade acadêmica, especialmente quando motivadas por interesses externos ao debate institucional”.


Apoio interno e externo à reitora

Diante dos ataques, servidores da própria universidade organizaram um ato institucional de apoio à reitora. Em evento realizado na Vice-Reitoria, foi lida uma carta assinada por 95 servidores, denunciando a campanha difamatória e reafirmando confiança na gestão.

Além disso, reitores de diversas instituições da Região Norte, reunidos no fórum regional da Andifes, divulgaram manifestação pública em solidariedade a Guida Aquino. O grupo classificou os ataques como uma “ofensiva injusta”contra uma gestora reconhecida por sua atuação.


Crise expõe tensão entre defesa institucional e liberdade de crítica

Os episódios revelam o clima de tensão vivido pela universidade durante o período de greve docente. Especialistas apontam que críticas à administração são parte legítima do processo democrático interno, mas ataques pessoais, divulgação de acusações sem respaldo e campanhas de difamação colocam em risco o ambiente acadêmico e a integridade de seus dirigentes.

A Ufac afirma que continuará buscando diálogo com os setores mobilizados, mas que não aceitará a continuidade de ataques que ultrapassem os limites da civilidade.


O que vem a seguir

A expectativa é que a conclusão das investigações internas e das análises jurídicas possa resultar em medidas administrativas ou judiciais contra os responsáveis pelos ataques.

Enquanto isso, a universidade tenta recompor o ambiente institucional e restabelecer canais de diálogo, buscando equilibrar a liberdade de reivindicação com a preservação da integridade de seus gestores.

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