Mais de 110 bebês morreram por causas evitáveis no Acre em apenas oito meses

Redação Notícia Imediata

Mais de 110 bebês morreram por causas evitáveis no Acre em apenas oito meses
Publicado em 28/10/2025 às 8:41

O Acre registrou 112 mortes infantis e fetais por causas evitáveis entre janeiro e agosto de 2025, conforme dados do Painel de Monitoramento da Mortalidade Infantil e Fetal, do Ministério da Saúde. O número representa aumento de 4,7% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram contabilizados 107 óbitos.

Apesar da redução em comparação a 2023, que teve 124 casos nos oito primeiros meses, o novo crescimento reacende a preocupação de especialistas sobre a fragilidade da assistência materno-infantil no estado.

O dado mais alarmante está na mortalidade neonatal precoce, que reúne mortes ocorridas até o sexto dia de vida. Nessa faixa, o Acre registrou 63 óbitos em 2025, contra 43 no mesmo período do ano passado, uma alta de 46,5%.

Os meses mais críticos foram janeiro, com dez casos (em 2024 havia sido apenas um), e abril e maio, com doze mortes cada. Já a mortalidade neonatal tardia, entre o 7º e o 27º dia de vida, teve queda, passando de 21 para 13 registros.

Segundo a médica Mariana Colodetti, neonatologista e integrante da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a maioria desses óbitos poderia ter sido evitada com acompanhamento adequado desde a gestação até o período pós-parto.

“Essas mortes representam falhas que poderiam ser prevenidas com assistência médica de qualidade e atenção integral à gestante e ao recém-nascido. São causas tratáveis, mas ainda há famílias sem acesso ao cuidado adequado”, explicou a especialista.

De acordo com a SBP, as chamadas “causas evitáveis” incluem complicações perinatais, como prematuridade, asfixia e infecções neonatais, além de doenças respiratórias e infecções parasitárias relacionadas à falta de saneamento e condições precárias de higiene.

Profissionais da área avaliam que o aumento recente indica a necessidade de reforçar o acompanhamento pré-natal, garantir partos humanizados e ampliar o acesso aos serviços de urgência neonatal, especialmente no interior do estado.

“Não é apenas uma questão de estrutura hospitalar, mas de política pública contínua para proteger a vida desde o nascimento”, concluiu Colodetti.

Com informações do ac24horas

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