STF condena Bolsonaro; Notícia Imediata relembra trajetória de crises e ataques à democracia
Marcos Dione, do Notícia Imediata

Hoje, dia 11 de setembro de 2025, o Brasil escreveu um capítulo histórico. A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria e votou pela condenação do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro por organização criminosa. A Corte ainda julga outros crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado.
Em retrospectiva especial, o Notícia Imediata relembra fatos e imagens que, desde 2018, evidenciam a escalada de crises, ataques à democracia e violações de direitos humanos protagonizados pelo quarto ex-presidente a ser condenado desde a redemocratização.
Durante a pandemia de Covid-19, o governo Bolsonaro contrariou orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), minimizando a gravidade da doença, criticando medidas de isolamento, defendendo a reabertura do comércio e o uso de medicamentos sem eficácia comprovada, como a cloroquina. Frases como “E daí? Não sou coveiro” e “Todos vamos morrer um dia” se tornaram símbolos de desprezo diante da tragédia sanitária, que resultou em mais de 700 mil mortes no país. A condução da crise levou a denúncias contra Bolsonaro na Corte Penal Internacional, acusando-o de crimes contra a humanidade.
Na área ambiental, sua gestão foi marcada por recordes de desmatamento e incêndios. Em 2019, dados do Inpe mostraram índices alarmantes, e Bolsonaro reagiu atacando o então diretor do órgão, Ricardo Galvão, que acabou demitido. Em reunião ministerial de abril de 2020, o então ministro Ricardo Salles defendeu “passar a boiada” em normas ambientais enquanto a atenção estava voltada para a pandemia. Ao menos 606 normas com impacto direto no meio ambiente foram alteradas apenas entre abril e dezembro daquele ano.
Outro momento crítico ocorreu em 18 de julho de 2022, quando Bolsonaro convocou embaixadores estrangeiros para questionar, sem provas, a segurança das urnas eletrônicas. A Procuradoria-Geral da República considerou o episódio parte de um plano para permanecer no poder, independentemente do resultado das eleições.
Às vésperas da posse do presidente Lula, Bolsonaro deixou o país e não participou da transmissão da faixa presidencial. Em 8 de janeiro de 2023, apoiadores do ex-presidente invadiram e depredaram o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o próprio STF, em um ataque considerado o maior atentado às instituições democráticas desde a redemocratização. Investigações posteriores revelaram que os atos foram articulados nas redes sociais com o código “Festa da Selma”, expressão citada no voto do ministro Alexandre de Moraes.
Com a decisão do STF, Bolsonaro se torna o primeiro ex-presidente condenado por tentativa de golpe de Estado. O julgamento segue para definição das penas e poderá tornar o ex-presidente inelegível e estabelecer medidas restritivas para outros envolvidos.
