Transporte coletivo em Rio Branco: negociação legítima ou conluio político-empresarial?
Redação Notícia Imediata

A paralisação do transporte coletivo em Rio Branco, prevista para esta quarta-feira (10), foi suspensa temporariamente após reunião entre a Prefeitura e o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes de Passageiros e Cargas do Acre (SINTTPAC). O encontro aconteceu nesta terça-feira (9) e resultou na suspensão do movimento apenas até quinta-feira (11).
A categoria cobra reajuste salarial e aumento no valor do vale-alimentação. Para evitar a paralisação, a prefeitura apresentou como saída o projeto de lei protocolado na Câmara Municipal, que trata do subsídio pago pelo município ao transporte coletivo, mais um aumento no repasse de dinheiro público à empresa Ricco Transportes, responsável pelo serviço.
O secretário de Articulação Institucional, Rennan Biths, confirmou que essa foi a medida central apresentada ao sindicato:
“O prefeito em exercício nos incumbiu de iniciar essa articulação de imediato. Conversamos com o sindicato e mostramos que o município já tomou providências, inclusive com o envio do projeto de lei que viabiliza o atendimento às reivindicações da categoria. Agora estamos em diálogo com os vereadores para que avaliem a proposta, garantindo que a população não seja prejudicada”, afirmou Biths ao Portal do Acre
Logo após a reunião, o presidente do SINTTPAC, Antônio Neto da Silva Oliveira, declarou que a categoria aceitou suspender o movimento apenas até quinta-feira:
“Atendemos ao chamado da prefeitura porque sempre estivemos abertos ao diálogo. Decidimos suspender o movimento até quinta-feira, quando vamos avaliar o andamento das negociações. Nosso objetivo nunca foi ser radical, mas encontrar soluções que contemplem os trabalhadores sem prejudicar a população”, disse em matéria divulgada pelo Portal ContilNet.
A questão que se impõe é: até que ponto essa “negociação” não estaria servindo mais aos interesses da Ricco Transportes e da própria prefeitura do que, de fato, à melhoria do transporte público e das condições dos trabalhadores?
A empresa acumula anos de críticas pela má qualidade do serviço: ônibus velhos, horários irregulares e reclamações constantes da população. Mesmo assim, continua sendo beneficiada com verbas públicas em forma de subsídios. A estratégia do sindicato de suspender a greve somente até quinta-feira, prazo em que o projeto começa a tramitar na Câmara, soa como uma jogada política que pressiona os vereadores a aprovarem rapidamente o repasse.
Na prática, a população continua refém de um serviço precário, bancado pelo erário. Trabalhadores querem seus direitos, e é justo. O sindicato pressiona, mas de forma alinhada com o cronograma do Executivo. A prefeitura corre para aprovar mais um aporte financeiro à empresa. E os vereadores são empurrados a votar sob a sombra da ameaça de greve.
Trata-se de negociação legítima? Ou de um conluio político-empresarial que, mais uma vez, garante dinheiro público para a Ricco Transportes continuar prestando um serviço que não atende à altura as necessidades da cidade?
A resposta, mais uma vez, parece pender para quem detém o poder, enquanto o cidadão, que depende diariamente do transporte coletivo, segue como o maior prejudicado.
